domingo, 20 de abril de 2008

Artigo publicado no Globo de 20/04/2008

Gene explicaria vulnerabilidade ao estresse.
• Uma nova pesquisa sugere que o fator genético faz a di­ferença na capacidade de as pessoas reagirem ao estres­se. Certos genes poderiam explicar por que alguns indivíduos se recuperam com­pletamente de eventos trau­matizantes, enquanto outros desenvolvem seqüelas, co­mo o chamado distúrbio pós-traumático.
O estudo é preliminar. Mas lança luz num distúrbio Que se tornou freqüente num mundo mais violento. Nos Es­tados Unidos, onde a pesqui­sa foi realizada, especialistas acreditam que os dados Teve-
lados agora podem ajudar no tratamento de um número ca­da vez maior de veteranos das guerras do Afeganistão e do Iraque diagnosticados com o distúrbio de estresse pós-traumático.
Os sintomas do problema podem surgir muito tempo de­pois do trauma. Normalmente incluem lembranças aterrori­zantes. As vítimas relatam ní­veis debilitantes de ansieda­de, irritabilidade, insônia e ou­tros sinais de estresse.
Os cientistas identificaram variações bem específicas num gene Que já havia sido re­lacionado antes ao estresse.
Tais variações parecem in­fluenciar a resposta ao trau­ma. O estudo foi realizado com pessoas Que haviam sofri­do abuso sexual na infância. O grupo com as variações tinha maior incidência de distúrbio pós-traumático.
Estudo envolveu 900 pessoas nos Estados Unidos
Entre os adultos que sofre­ram graves abusos sexuais quando eram crianças, os por­tadores das variações genéti­cas tinham uma incidência duas vezes maior de proble­mas psicológicos. Quanto pior o abuso, mais grave a situação do grupo com as variações.
Os pesquisadores analisa­ram dados de 900 pessoas. Es­sa foi a primeira vez que se mostrou que genes podem ser influenciados por fatores não genéticos, já que são eventos externos Que deflagram o dis­túrbio p6s-traumático.
- Já sabíamos que fatores genéticos influenciam o es­tresse pós-traumático. Mas ainda não Unhamos nenhuma pista boa sobre variações es­pecíficas que aumentassem o risco do distúrbio - disse Ka­restan Koenen. uma psic610ga da Universidade de Harvard estudiosa do assunto.
A pesquisa sugere que exis­tem períodos críticos durante a infância quando o cérebro é vulnerável "a influências ex­ternas que podem moldar a forma como se desenvolve o sistema ligado à resposta ao estresse", disse Kerry Ressler, pesquisador da Universidade de Emory que é co-autor do estudo.
O trabalho foi publicado na última edição da 'Revista da Associação Médica Ame­ricana" (Jama, na sigla em in­glês). Segundo Ressler, pro­vavelmente há numerosos outros fatores genéticos que podem estar relacionados ao distúrbio p6s-traumático.
A principal utilidade da pes­quisa, no momento, é abrir ca­minho para o desenvolvimen­to de testes para diagnosticar pessoas mais vulneráveis. Os tratamentos disponíveis hoje incluem psicoterapia e uso de drogas psiquiátricas.
O estudo mostra que even­tos ocorridos na infância po­dem deixar marcas permanen­tes na vida de uma pessoa. Abusos sexuais têm efeitos de­vastadores e muitas vezes per­manentes, frisou o psiquiatra da Universidade de Duke John Fairbank, um especialista em assistência a crianças. _

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